domingo, 14 de março de 2010

TRADIÇÃO FAMILIAR


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Do dicionário –
Tradição: ato de transmitir ou entregar. Transmissão oral de lendas, fatos, etc., de idade em idade, geração em geração. Transmissão de valores espirituais através de gerações.
O que aprendemos como aprendemos e como transmitimos as tradições de nossos antepassados as nossas crianças, o futuro?
Aliás, qual seria a importância de uma tradição?
Todos nós seres vivos precisamos de uma referência para existir. Observando os nossos genitores e histórias e estórias que nos contam é que vamos somando e construindo nossos valores.
Sempre temos em nossa história familiar uma receita de família, o porquê e como se fazem as coisas, o como se cuida de um bebe, quais o chás são bons quando temos uma dor ou um mal estar. O respeito ao próximo. Tudo isso vem de nossas tradições. E é tão bom, por que nos dá segurança, sabemos onde buscar nossos recursos de sobrevivência. Cada família tem seu próprio jeito, sua própria cultura, mas com apenas um objetivo: cuidar.
Por muito tempo penso que a tradição funcionou para preservação da espécie.
Onde foi que tudo se perdeu?
Hoje vemos jovens ou até mesmo crianças envolvidos no crime. Não existem valores e nem regras.
Me questiono: que história e estória essas crianças ouviram? Que regras lhe foram ensinadas?
Estes dias peguei uma reportagem no noticiário já em andamento, mas a cena que vi era: duas mães choravam. Uma por ter perdido sua filha, a outra por que o filho havia cometido o crime. E esta mãe pedia perdão e sim ela a perdoou, mas disse “não sei se consigo perdoar seu filho”. O mais emocionante foi quando a mãe que havia perdido sua filha se depara com o garoto que havia cometido o crime.
Esta mãe pergunta: “Por quê? Por que você a tirou de mim, da minha família e dos amigos? Por que você fez isso comigo?”
A resposta: um palavrão!
Por um momento tentei me imaginar como uma assassina e me imaginei um bicho, que não sente, não tem compromisso, não sei o que é a palavra não e não tenho o significado registrado de frustração, e como conseqüência, muito egoísta precisando tirar alguém do meu caminho ou alguém que está em meu caminho me interrompendo de alcançar um objetivo.
Mas para minha realidade isso não funciona, é cruel demais interromper a vida de alguém pra conseguir algo que quero.
Então onde essas famílias estão se perdendo?
Hoje em dia corremos o risco de sair de casa e não voltar mais!
E a passagem de Coríntios 13 me vem à cabeça assim como cantado por Renato Russo:
“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanha...”
Então para este tema me ficam vários questionamentos:
Será que hoje algumas famílias não valorizam mais as suas tradições?
O “não” perdeu sua importância?
E as conversas familiares onde se lembram do passado resgatando os valores, histórias e estórias? Onde foram parar estes momentos?
As reuniões familiares, as fotos em grupo, dias festivos?
Será que os dias foram ficando apenas ocupados com o trabalho? Será que abriram mão de momentos tão importantes na valorização de nossas crianças? E ai para compensar ao menor sinal de um pedido não existe o limite, não existe o não, para compensar sua ausência?
Aí então se consegue entender o porquê hoje vemos tantas crianças e jovens frustrados e para compensar esse vazio, vandalizam e correm atrás de um desejo que não se satisfaz como a falta de um abraço, um carinho familiar, os momentos juntos.
A história que nos é passada, a estória que nos é contada, onde aprendemos regras e valores, e também aprendemos a sonhar e que para conseguir o que se quer, tem um preço, nossas atitudes têm conseqüência.
Não jogue suas tradições no lixo, elas são de uma riqueza e preciosidade sem tamanho e com certeza um dia falarão alto e vão fazer a diferença.